sábado, 5 de dezembro de 2009

Serie de perguntas e respostas n50

736 Os povos que são muito escrupulosos com relação à destruição
dos animais têm um mérito particular?
– É um excesso, mesmo sendo um sentimento louvável em si mesmo; se
se torna abusivo, seu mérito é neutralizado pelos abusos de outras espécies.
Há entre eles mais medo supersticioso do que a verdadeira bondade.

FLAGELOS DESTRUIDORES
737 Com que objetivo os flagelos destruidores atingem a humanidade?
– Para fazê-la progredir mais depressa. Não dissemos que a
destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que ad-
quirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? É preciso ver
o objetivo para apreciar os resultados dele. Vós os julgais somente do
ponto de vista pessoal e os chamais de flagelos por causa do prejuízo que
ocasionam; mas esses aborrecimentos são, na maior parte das vezes,
necessários para fazer chegar mais rapidamente a uma ordem de coisas
melhores e realizar em alguns anos o que exigiria séculos. (Veja a questão
744.)

738 A Providência não poderia empregar para o aperfeiçoamento
da humanidade outros meios que não os flagelos destruidores?
– Sim, pode, e os emprega todos os dias, uma vez que deu a cada
um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. É o homem
que não tira proveito disso; é preciso castigá-lo em seu orgulho e
fazer-lhe sentir sua fraqueza.

738 a Mas nesses flagelos o homem de bem morre como o perverso;
isso é justo?
– Durante a vida, o homem sujeita tudo ao seu corpo; mas, após a
morte, pensa de outro modo e, como já dissemos, a vida do corpo é
pouca coisa; um século de vosso mundo é um relâmpago na eternidade.
Portanto, os sofrimentos que sentis por alguns meses ou alguns dias não
são nada, são um ensinamento para vós e servirão no futuro. Os Espíritos,
que preexistem e sobrevivem a tudo, compõem o mundo real. (Veja a questão
85.) Esses são filhos de Deus e objeto de toda a sua solicitude; os
corpos são apenas trajes sob os quais aparecem no mundo. Nas grandes
calamidades que destroem os homens, é como se um exército tivesse
durante a guerra seus trajes estragados ou perdidos. O general tem mais
cuidado com seus soldados do que com as roupas que usam.

738 b Mas nem por isso as vítimas desses flagelos são menos
vítimas?
– Se considerásseis a vida como ela é, e quanto é insignificante em
relação ao infinito, menos importância lhe daríeis. Essas vítimas encontrarão
numa outra existência uma grande compensação para seus sofrimentos
se souberem suportá-los sem se lamentar.

739 Os flagelos destruidores têm alguma utilidade do ponto de
vista físico, apesar dos males que ocasionam?
– Sim, eles mudam, muitas vezes, as condições de uma região; mas
o bem que resulta disso somente é percebido pelas gerações futuras.

740 Os flagelos não seriam para o homem também provas morais
que os submetem às mais duras necessidades?
– Os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de
exercitar sua inteligência, mostrar sua paciência e sua resignação à vontade
da Providência, e até mesmo multiplicam neles os sentimentos de abnegação,
de desinteresse e de amor ao próximo, se não é dominado pelo egoísmo.

741 É dado ao homem evitar os flagelos que o atormentam?
– Sim, em parte, embora não como se pensa geralmente. Muitos dos
flagelos são a conseqüência de sua imprevidência; à medida que adquire
conhecimentos e experiência, pode preveni-los se souber procurar suas
causas. Porém, entre os males que afligem a humanidade, há os de caráter
geral, que estão nos decretos da Providência, e dos quais cada indivíduo
sente mais ou menos a repercussão. Sobre esses males, o homem pode
apenas se resignar à vontade de Deus; e ainda esses males são, muitas
vezes, agravados pela sua negligência.

GUERRAS
742 Qual é a causa que leva o homem à guerra?
– Predominância da natureza selvagem sobre a espiritual e satisfação
das paixões. No estado de barbárie, os povos conhecem apenas o direito
do mais forte; é por isso que a guerra é para eles um estado normal.
Contudo, à medida que o homem progride, ela se torna menos freqüente,
porque evita as suas causas, e quando é inevitável sabe aliar à sua ação o
sentimento de humanidade.

743 A guerra desaparecerá um dia da face da Terra?
– Sim, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei
de Deus; então, todos os povos serão irmãos.

744 Qual o objetivo da Providência ao tornar a guerra necessária?
– A liberdade e o progresso.
7
44 a Se a guerra deve ter como efeito conduzir à liberdade,
como se explica que tenha, muitas vezes, por objetivo e resultado a
escravidão?
– Escravidão temporária para abater os povos, a fim de fazê-los progredir
mais rápido.

745 O que pensar daquele que provoca a guerra em seu proveito?
– Esse é o verdadeiro culpado e precisará de muitas reencarnações
para expiar todas as mortes que causou, porque responderá
por todo homem cuja morte tenha causado para satisfazer à sua ambição.

ASSASSINATO
746 O assassinato é um crime aos olhos de Deus?
– Sim, um grande crime; porque aquele que tira a vida de seu semelhante
corta uma vida de expiação ou de missão, e aí está o mal.

747 O assassinato tem sempre o mesmo grau de culpabilidade?
– Já o dissemos: Deus é justo, julga mais a intenção do que o fato.

748 Perante Deus há justificativa no assassinato em caso de legítima
defesa?
– Somente a necessidade pode desculpá-lo. Mas se o agredido pode
preservar sua vida sem atentar contra a do agressor, deve fazê-lo.

749 O homem é culpado pelos assassinatos que comete durante
a guerra?
– Não, quando constrangido pela força, embora seja culpado pelas
crueldades que comete. O sentimento de humanidade com que se portou
será levado em conta.

750 Qual é mais culpado diante da lei de Deus, aquele que mata
um pai ou aquele que mata uma criança?
– Ambos o são igualmente, porque todo crime é crime.

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